sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Abracadabra

Brasília, 30 de agosto de 2010

Caro Amigo,

Assisti ao espetáculo e vi você lá. Não fui conversar com você, pois parecia que você estava tão concentrado no que estava assistindo, via você com seus olhos fechados, escutando tudo com atenção, afinal o espetáculo começa com tudo no escuro.

Mas o que você estava assistindo? Acredito que você, como uma pessoa que estuda na área, saiba me responder essa pergunta, estou certo? Se você esta na área, você deve entender da área, assim acredito. Será, realmente, que tudo é tão simples como visualmente foi mostrado? Porque não havia nada o que se ver, não havia nada o que se observar, havia apenas o que se buscar, o palco nu, apena um caixote preto que no meio do fundo preto sumia. E será que tudo é tão complicado e estranho como foi dito? Parecia tão desconexo, sem sentido, que tinha sentido. Perguntas que nunca me vieram à cabeça, e que me incomodaram me levando a pensar se realmente era isso que eu fazia que você fazia. Será?

Palavras soltas ao vento do ar condicionado, algumas vezes o que ele dizia não fazia nenhum sentido que me parecia voar e não me possibilitava entender. Estava frio lá dentro, vou levar um casaco melhor da próxima vez. Luzes brancas que não paravam de rodar, será que todo mundo é tão sinestésico que não conseguia parar de fazer movimentos circulares com as lanternas? Além de um palco nu, não havia iluminação, ou melhor, havia nas mãos de parte dos espectadores que fixavam a luz dele, mas não paravam de rodar. Um laser de um espectador sapeca olha o que me chamou a atenção, tava tudo tão sem cor que um ponto vermelho não parava de me chamar à atenção, acho que tal espectador esta insatisfeito por não ter recebido a lanterna e resolveu brincar também. E os espectadores revoltados com outros espectadores, isso foi engraçado, não temos liberdade de fazer o que queremos, quanto mais de iluminar o escuro mais de perto, a proposta não era de iluminarmos aonde quisermos? Ate onde sei, nunca disseram que não podíamos iluminar melhor o que estávamos ouvindo.

Parecia-me um espetáculo intelectual em que apenas algumas pessoas entenderiam, pois às vezes via as pessoas rindo, mas eu não tinha entendido a piada. Um texto desconexo, sem sentido, que fazia sentido e me levava a acreditar que era um ignorante perto de tudo que estava sendo dito ou não dito. E me parecia, mais uma vez, que era um espetáculo para o ator, sem preocupação com o publico, apenas provocação. Mas provocar também não é preocupar? Tenho visto outros espetáculos que me levaram a pensar isso, o espetáculo apenas para o prazer de quem o esta fazendo.

Enfim, aguado respostas depois de suas reflexões no grupo.

Nitiel Fernandes

Nenhum comentário:

Postar um comentário